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SAFE: Assinar Faturas Eletrónicas de Graça em 2027

A partir de 2027 as faturas eletrónicas precisam de assinatura qualificada. O SAFE, do Estado, faz isso sem custo de utilização. Veja como funciona e como integrá-lo no seu software.

Por Miguel Santos5 min readPortuguês
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SAFE: Assinar Faturas Eletrónicas de Graça em 2027

A conta-regressiva da faturação eletrónica tem uma data que interessa a todas as PME: a partir de 1 de janeiro de 2027, uma fatura eletrónica em PDF sem assinatura digital qualificada deixa de ser aceite como fatura eletrónica válida. Até ao fim de 2026 o PDF simples ainda serve. Depois disso, a fatura tem de levar uma assinatura ou selo eletrónico qualificado, sob pena de o cliente poder ficar sem direito a deduzir o IVA e de a empresa ser corrigida numa inspeção. A reação natural de muitos gerentes é assumir que isto significa contratar mais um serviço pago, mais uma licença, mais um custo fixo. Nem sempre. O Estado disponibiliza o SAFE, o Serviço de Assinatura de Faturas Eletrónicas, gerido pela AMA, que assina as faturas com validade legal plena e sem custo de utilização. O que falta a muitas empresas não é o serviço, é perceber como ele funciona e como se liga ao software de faturação que já usam. Este guia explica isso, sem rodeios e sem transformar a mudança num projeto interminável.

O que é o SAFE, em concreto

O SAFE é um serviço público que assina faturas eletrónicas em nome de uma pessoa com poderes na empresa: um gerente, administrador, diretor ou procurador. É importante perceber este detalhe, porque a assinatura é feita em nome dessa pessoa, com os seus atributos profissionais, e não em nome genérico da empresa. O resultado é uma assinatura eletrónica qualificada, com o mesmo valor legal que o quadro do eIDAS atribui a este nível de assinatura.

A vantagem face a comprar um certificado qualificado a um prestador privado é o custo de utilização: o SAFE não cobra pela assinatura em si. Para uma PME que emite centenas ou milhares de faturas, a diferença ao longo do ano não é trivial.

Sem custo de utilização não é o mesmo que custo zero

O SAFE não cobra pela assinatura, mas usar o serviço exige a adesão prévia ao SCAP, o Sistema de Certificação de Atributos Profissionais, que pode ter um custo associado. Confirme esse valor junto da AMA antes de decidir, para comparar com honestidade as alternativas.

O papel do SCAP: a peça que trava a maioria

O ponto onde as empresas ficam presas não é a assinatura, é a credenciação. Para que o SAFE possa assinar em nome de um gerente, esse gerente precisa de ter, no SCAP, o atributo profissional ativo de emissão e assinatura de faturas da empresa. É isto que liga a pessoa à empresa aos olhos do sistema.

Na prática, o percurso tem alguns passos: confirmar que o software de faturação está integrado com o SAFE, aderir ao SCAP e associar os atributos da empresa à pessoa que vai assinar, configurar o certificado no programa e, por fim, testar a emissão e a assinatura de ponta a ponta antes de depender disto em produção. Nenhum dos passos é difícil isoladamente. O que corre mal é descobrir, a meio de dezembro, que faltava um deles.

O SAFE não é a única via

Convém dizer com clareza: o SAFE é uma das opções, não a única nem obrigatoriamente a melhor para todos. A assinatura qualificada pode ser feita com um certificado qualificado de um prestador privado, e há ainda o selo eletrónico qualificado e os fluxos de EDI para quem já troca documentos estruturados com clientes e fornecedores.

A escolha depende de como a empresa emite faturas. Quem emite tudo a partir de um software de faturação com um ou dois responsáveis a assinar encaixa bem no SAFE. Quem tem faturação muito automatizada, sem intervenção humana por fatura, pode preferir um selo eletrónico qualificado associado à organização. A decisão certa nasce de olhar para o processo real, não de escolher a palavra que soa melhor.

O que não muda em 2027

A assinatura é uma camada nova por cima do que já existe, não uma substituição. Mantêm-se as obrigações correntes: o software de faturação certificado pela AT, o ATCUD, o código QR nas faturas e o envio mensal do SAF-T da faturação. Se estava à espera que 2027 simplificasse alguma coisa, não é esse o caso: acrescenta um requisito, por isso vale a pena tratar dele cedo em vez de o empilhar sobre o resto.

Se ainda não mapeou o calendário todo, o nosso guia dos prazos da faturação eletrónica para 2027 arruma as datas, e o artigo sobre assinatura eletrónica qualificada explica os níveis de assinatura e a validade legal de cada um.

Como preparar a sua PME sem stress

O erro mais comum é tratar isto como uma tarefa de última hora. É o oposto do que compensa. Um plano simples:

  • Confirme já se o seu software suporta o SAFE. Fornecedores como a Sage e outros já integram o serviço. Se o seu programa ainda não o faz, essa é a primeira conversa a ter com quem o fornece ou com quem o desenvolveu.
  • Trate do SCAP com antecedência. A credenciação dos atributos profissionais leva tempo e depende de passos administrativos. Começar em novembro é confortável; começar a 28 de dezembro não é.
  • Teste de ponta a ponta antes de depender disto. Emita, assine e valide uma fatura real em ambiente de teste. Descobrir um problema de integração com margem é aborrecido; descobri-lo no dia 2 de janeiro com clientes à espera é outra coisa.

Verifique sempre na fonte oficial

As regras e as datas podem ser ajustadas em diplomas e no Orçamento do Estado. Antes de decidir, confirme os prazos e o funcionamento do SAFE no autenticacao.gov.pt e no Portal das Finanças. Este artigo orienta a decisão, não substitui a legislação em vigor.

A conversa que vale a pena ter cedo

Para a maioria das PME, a mudança de 2027 é administrável e pode até sair mais barata do que se receia, desde que o software de faturação fale com o SAFE e a credenciação esteja feita a tempo. O que custa dinheiro e paciência é deixar tudo para o último mês e descobrir que a integração não existe ou que faltava um atributo no SCAP.

Se o seu software de faturação não suporta o SAFE, ou se tem um sistema à medida que precisa de passar a assinar faturas eletrónicas, falamos consigo para tratar da integração com tempo. É muito mais barato resolver isto em novembro do que em janeiro.

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Miguel Santos

Escrito por

Miguel Santos

Engenheiro de Software

Miguel é engenheiro de software na Lusivision e escreve sobre transformação digital, automação e desenvolvimento à medida para PMEs. Acompanha empresas portuguesas a modernizar processos e a tirar partido real da tecnologia sem complicar.

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