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Software de Gestão para Gabinetes de Arquitetura e Engenharia

Um gabinete de projeto vive de prazos, horas e margens apertadas. Veja que software de gestão faz sentido, o que integrar com o CAD e a contabilidade, e quando compensa algo à medida.

Por Miguel Santos6 min readPortuguês
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Software de Gestão para Gabinetes de Arquitetura e Engenharia

Um gabinete de arquitetura ou de engenharia não tem um problema de talento. Tem um problema de margem. O projeto é bom, o cliente fica satisfeito, a obra avança, e no fim do ano os sócios olham para as contas e não percebem porque é que tanto trabalho deu tão pouco. A resposta quase sempre está no mesmo sítio: ninguém sabe ao certo quantas horas cada projeto consumiu, quais deram prejuízo, e quanto tempo se perdeu em reuniões, alterações e versões que o cliente mudou três vezes.

O software técnico, o AutoCAD, o Revit, o ArchiCAD, resolve o desenho. Não resolve a gestão do gabinete. E é na gestão, não no desenho, que a maioria dos ateliês perde dinheiro sem dar por isso. Este guia percorre que tipo de software de gestão faz sentido para um gabinete de projeto em Portugal, o que deve ligar ao que já usa, e em que casos compensa uma solução à medida do vosso processo em vez de mais uma subscrição genérica.

O que torna a gestão de um gabinete de projeto diferente

Gerir um gabinete de arquitetura não é como gerir uma loja ou um restaurante. O produto é um projeto, dura meses, passa por fases com nomes próprios (estudo prévio, licenciamento, execução), e é faturado de forma irregular ao longo desse tempo. Cada projeto é diferente do anterior, por isso os orçamentos são estimativas e as estimativas falham.

Isto cria uma gestão com três características que o software de prateleira genérico raramente trata bem. Primeiro, o trabalho mede-se em horas de pessoas qualificadas, que são caras e finitas. Segundo, o dinheiro entra por fases e por tranches, muitas vezes desalinhado com o esforço real. Terceiro, o âmbito muda constantemente, porque o cliente pede alterações e nem sempre aceita pagá-las. Um sistema que não perceba estas três coisas não ajuda a gerir um gabinete de projeto.

As dores que qualquer sócio de gabinete reconhece

Antes de escolher ferramenta nenhuma, vale a pena ser honesto sobre o que dói. Nos gabinetes com que trabalhamos, a lista repete-se:

  • Projetos que derrapam no tempo. O que estava orçamentado para 120 horas consome 200, e ninguém percebeu a tempo de travar.
  • Alterações que ninguém faturou. O cliente pediu a terceira versão da fachada, a equipa fez, e essa semana de trabalho nunca entrou numa fatura.
  • Faturação dependente da memória. As tranches de honorários faturam-se quando alguém se lembra, não quando a fase fecha, e há sempre dinheiro parado por emitir.
  • Falta de visão da carteira. Quantos projetos estão ativos, em que fase, com que prazo e com que colaborador? Sem isto, aceitam-se trabalhos novos sem saber se há mãos para os fazer.

Se reconhece três destas quatro, o problema não é falta de competência técnica. É falta de um sistema que torne o trabalho visível antes de o prejuízo estar feito.

Registo de tempos: o número que ninguém quer ver

A base de tudo num gabinete de projeto é o registo de horas por projeto e por fase. É a parte que as equipas mais detestam e a que mais muda o negócio. Sem ela, a rentabilidade de cada projeto é um palpite, e os orçamentos do próximo ano repetem os erros do anterior.

Não precisa de ser um controlo policial ao minuto. Precisa de ser simples o suficiente para que cada colaborador registe, no fim do dia, em que projetos trabalhou e quanto tempo. Ao fim de dois ou três meses, o gabinete passa a saber uma coisa que antes não sabia: quais os clientes e os tipos de projeto que dão margem e quais consomem o dobro do que pagam. A partir daí, os orçamentos deixam de ser otimismo e passam a ser baseados em dados reais do próprio gabinete. Esse único hábito costuma pagar o software sozinho.

Comprar uma solução pronta ou construir à medida

A primeira pergunta não é qual o software, é comprar ou construir. Existem plataformas, nacionais e internacionais, especializadas na gestão de gabinetes de arquitetura e engenharia, com fases de projeto, registo de horas e faturação de honorários já pensados para o setor. Para a maioria dos ateliês pequenos e médios, começar por uma delas é o caminho sensato: é rápido, é previsível ao mês, e evita reinventar aquilo que outros já resolveram. Analisámos esta decisão em detalhe no guia software à medida ou SaaS para PME, e a lógica aplica-se diretamente aqui.

O à medida faz sentido quando o gabinete tem uma forma de trabalhar que nenhuma ferramenta encaixa, quando precisa de ligar de forma profunda a gestão de projetos à contabilidade e ao portal do cliente num só fluxo, ou quando já tem equipa suficiente para que as subscrições por utilizador comecem a doer e a personalização valha o investimento. Não é o ponto de partida para um gabinete de três pessoas. Passa a ser opção quando a operação cresce e as ferramentas de prateleira limitam em vez de ajudar.

O que o sistema deve ligar ao que já existe

Seja pronto ou à medida, a regra é a mesma: o sistema de gestão não pode ser mais uma ilha. Vale pelo que liga ao resto.

  • Software técnico (CAD/BIM). Não é preciso integrar o desenho, mas o sistema de gestão tem de conviver com a estrutura de pastas e versões dos projetos, não lutar contra ela.
  • Contabilidade e faturação certificada. As tranches de honorários faturadas a partir da própria gestão de projetos, ligadas ao programa de faturação, sem dupla introdução de dados.
  • Portal do cliente. Um sítio onde o cliente acompanha o estado do projeto, aprova fases e troca documentos, poupando as idas e voltas de email. Falámos disto no guia do portal do cliente para PME.
  • Equipas de obra e fornecedores. Nos gabinetes que acompanham a construção, a ligação à gestão de obra e construção civil evita que a fase de projeto e a de obra vivam em mundos separados.

Uma integração mal feita cria mais trabalho do que resolve. Antes de assinar o que quer que seja, teste com um ou dois projetos reais como flui a informação de ponta a ponta. O tema é suficientemente importante para merecer um guia próprio sobre integração de sistemas.

Onde a automação e a IA ajudam

Num gabinete, o valor da automação está no aborrecido, não no espetacular. O registo de tempos que se preenche sozinho a partir do calendário e dos ficheiros abertos, os lembretes de tranches por faturar, os avisos quando um projeto ultrapassa as horas orçamentadas: é aí que se ganha tempo e se tapam os buracos por onde a margem escorre.

A IA entra a seguir, em tarefas concretas. Resumir as atas de reunião e extrair delas as alterações pedidas pelo cliente, para que nenhuma fique por faturar. Classificar e organizar a correspondência de cada projeto. Preparar primeiras versões de memórias descritivas a partir de informação que o gabinete já tem. Nada disto substitui o arquiteto ou o engenheiro. Substitui a parte do dia em que o técnico qualificado está a fazer trabalho administrativo que podia estar a fazer-se sozinho.

Por onde começar sem parar o gabinete

O erro clássico é tentar informatizar tudo de uma vez, a meio de uma entrega. Não resulta. A abordagem que funciona é faseada.

Comece pelo registo de horas por projeto, nem que seja numa ferramenta simples, só para passar a ver a realidade. Deixe correr dois ou três meses e olhe para os números: vão surpreender. Depois escolha a dor seguinte, normalmente a faturação de tranches ou o controlo de alterações, e resolva só essa. Meça, estabilize, e só então avance. Um gabinete não pode parar para instalar software, por isso a mudança tem de caber no ritmo normal dos projetos.

Se está a pensar organizar a gestão do seu gabinete e não sabe se compensa uma ferramenta pronta ou algo feito à medida da vossa forma de trabalhar, fale connosco. Ajudamos a perceber o que faz sentido para o tamanho e o tipo de projetos do gabinete, antes de gastar dinheiro na solução errada.

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Miguel Santos

Escrito por

Miguel Santos

Engenheiro de Software

Miguel é engenheiro de software na Lusivision e escreve sobre transformação digital, automação e desenvolvimento à medida para PMEs. Acompanha empresas portuguesas a modernizar processos e a tirar partido real da tecnologia sem complicar.

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